Tudo sobre curvatura peniana, Peyronie ou Congênita.

Tudo sobre curvatura peniana, Peyronie ou Congênita.

 

1. INTRODUÇÃO

A Curvatura Peniana é uma condição de grande relevância para os homens e pode afetar negativamente a vida sexual do casal. Curvaturas podem ser pequenas e de pouca monta, mas em muitos casos são tão graves que impedem qualquer relacionamento sexual com penetração.

Em outros casos, a curvatura desencadeia processos psicológicos complexos e até mesmo alterações na anatomia do pênis que causam disfunção erétil de origem arterial ou venosa.

No caso específico das Curvaturas Congênitas, ou a Curvatura dos Jovens, essa condição não cursa com disfunção erétil vascular e seu tratamento cirúrgico não implica em perda de tamanho ou na necessidade de instalação de próteses ou hastes de silicone.

Em todos os casos, contudo, é possível recuperarmos tamanho e espessura penianos perdidos em decorrência da modificação da anatomia ou de processos inflamatórios que lesaram vasos e tecidos genitais.

 

 

2. QUANDO PRECISO DE UMA CIRURGIA?

A cirurgia está indicada nos casos de curvaturas graves ou com quantidade de placas (a Doença de Peyronie desencadeia o surgimento de placas fibrosas) nos corpos cavernosos.

Em geral o período de atividade das placas dura de 6 meses a 12 meses e aguardamos esse período para estabilização da doença antes de tomar a decisão pelo tratamento operatório.

Em alguns casos, porém, a quantidade de placas é tão grande e causa tamanha deformação que pode-se decidir por tratar

cirurgicamente ainda durante a fase de atividade aguda das placas.

Uma outra questão importante é o momento pessoal de cada paciente: alguns homens por mais deformação que apresentem não estão psicologicamente preparados para o tratamento. Essa questão deve ser apreendida e respeitada pelo especialista.

No caso das curvaturas congênitas, o momento mais propício é logo após a maturação sexual plena durante a adolescência e logo antes do início da atividade sexual, assim os pacientes poderão desenvolver suas vidas sexuais sem traumas ou atropelos.

 

 

3. A CIRURGIA É REALMENTE NECESSÁRIA?

Não, na verdade a cirurgia nunca é necessária. A decisão pelo tratamento cirúrgico é muito pessoal, afinal as curvaturas penianas não são condições graves como tumores ou cânceres que podem tirar a vida das pessoas.

Ela é desejável quando o manutenção ou recuperação da atividade sexual com penetração é algo importante para os homens.

 

 

4. NÃO OUTRAS OPÇÕES ALÉM DA CIRURGIA?

Para o tratamento das Curvaturas Congênitas não há, mas para a Doença de Peyronie existem as Ondas de Choque de Baixa Intensidade e as aplicações de Xiaflex (não disponível no Brasil). Esses tratamentos, contudo, não resolvem casos mais complexos e não recuperam o tamanho do genital. As Ondas de Choque são excelentes para tratamento da dor decorrente das placas.

 

 

5. A CIRURGIA É MUITO COMPLICADA?

O tratamento de qualquer curvatura peniana com manutenção do tamanho (no caso da Curvatura Congênita) ou com recuperação do tamanho e espessura (no caso da Doença de Peyronie) implica em um procedimento complexo de reconstrução geométrica dos corpos cavernosos do pênis.

A despeito da complexidade o procedimento é realizado em regime de Hospital-Dia, com alta dos pacientes no final da tarde sem uso de sondas. A duração média da cirurgia é de 2 horas e o primeiro curativo permanece no local por 2 a 3 dias. Após isso os curativos devem ser feitos diariamente por 15 dias.

A cicatrização completa leva cerca de 40 dias, quando o paciente poderá, sob liberação médica, reiniciar a atividade sexual.

 

 

6. É PRECISO ALGUM PREPARO PARA A CIRURGIA?

Sim, além de avaliação quanto a aptidão cardiovascular, é preciso realizar a limpeza do local com antecedência com um produto específico. Todos os pacientes também são orientados a retirar os pelos da região para diminuir as possibilidades de contaminação da pele.

Pacientes que tratarão a curvatura congênita ou a Doença de Peyronie sem uso de próteses, iniciam um medicamento para controlar as ereções penianas involuntárias com antecedência, com objetivo de evitar dores ou tracionamento excessivo das suturas no pós-operatório.

A maioria dos pacientes também precisa de um exame de imagem do pênis chamado ultrassom doppler cavernoso, realizado por um profissional dedicado. Esse profissional não é o urologista, mas um

ultrassonografista especializado que nos fornecerá informações valiosas a respeito da circulação arterial e venosa do pênis, documentará a curvatura com fotografia e descreverá detalhadamente a condição, localização e tamanho de fibroses ou placas dos corpos cavernosos.

Consideramos todos esses cuidados com essenciais para um tratamento bem sucedido.

 

 

7. A CIRURGIA IRA DIMINUIR O PÊNIS OU DEIXA-LO FINO?

Não. Quando utilizamos as técnicas de reconstrução geométrica dos corpos cavernosos, procuramos recuperar tamanho e espessura. A cirurgia não aumenta as dimensões do pênis, mas é possível recupera-se o que se perdeu com a Doença de Peyronie.

Com respeito às Curvaturas Congênitas a técnica de incisão e sutura apenas da camada superficial do corpo cavernoso cria um aumento da complacência corrigindo a curvatura de forma definitiva sem causar perda de tamanho.

 

 

8. QUAL A TÉCNICA QUE O DR CESAR CAMARA UTILIZA?

Existem algumas técnicas muito eficientes e o especialista no tratamento de curvaturas penianas precisa estar tecnicamente apto para lançar mão de todas, para que cada caso possua uma solução única e específica.

As técnicas também evoluem ao longo do tempo e algumas são aplicadas em sua plenitude. e em situações específicas apenas uma etapa de uma técnica é empregada. Um exemplo muito claro da evolução das técnicas é a não necessidade de uso de enxertos na maior parte dos casos – algo considerado obrigatório na Técnica de Egydio original – e um exemplo

de aplicação de múltiplas técnicas é a presença de placas penianas que causam estreitamentos: podemos utilizar a técnica de Egydio com a técnica de Sliding com uma ou mais incisões e complementar o tratamento com incisões de relaxamento.

 

Vamos conhecer um pouco mais de cada técnica:

 

8.1.     TÉCNICA DE EGYDIO

Consiste na reconstrução geométrica dos corpos cavernosos utilizando-se princípios matemáticos e com o uso de enxertos

de pericárdio bovino. É a melhor técnica para os pacientes que desejam recuperar a curvatura e não precisam de próteses ou hastes de silicone. Atualmente, com o avanço da técnica cirúrgica, os enxertos desnecessários quando próteses ou hastes são empregadas.

Incisão para reconstrução geométrica

Desenluvamento peniano

Corpo cavernoso incisado e recuperação do tamanho e espessura

Dissecção do Feixe Vásculo-Nervoso para preservar a sensibilidade ao máximo

Fechamento da Falha do corpo cavernoso com enxerto

 

8.2.     TÉCNICA DE SLIDING

Utilizada para casos complexos de curvatura com grande perda de tamanho. Com essa técnica empregamos uma incisão nos corpos cavernosos com ou sem dissecção da uretra para recuperação de 1cm a 5 cm de tamanho. Quando a recuperação de tamanho é maior, pode ser necessário empregar enxertos. Essa técnica necessariamente precisa da instalação de próteses ou hastes de silicone para se promover sustentação radial do pênis.

Desenluvamento peniano – Incisão igual para a correção de Fimose

Desenho dos pontos de incisão do corpo cavernoso para posterior deslizamento

Deslizamento do corpo cavernoso após incisão para ganho de tamanho e espessura

Dissecção do Feixe Vásculo – Nervoso e de parte da Uretra para preservar a sensibilidade

Reparo das extremidades e instalação de prótese peniana

 

8.3.     TÉCNICA MUST

É um procedimento semelhante ao Sliding, mas para casos ainda mais complexos. A grande vantagem deste procedimento é a não necessidade de uso de enxertos. Como no Slidding, essa técnica necessariamente precisa da instalação de próteses ou hastes de silicone para se promover sustentação radial do pênis.

Desenluvamento peniano – Incisão igual para a correção de Fimose

Marcação dos pontos de incisão para deslizamento (múltiplas incisões)

Dissecção do Feixe Vásculo – Nervoso e de parte da Uretra para preservar a sensibilidade

Deslizamento para Recuperação do Tamanho e Espessura seguida de instalação de prótese peniana

 

8.4.     TÉCNICA DE SCRATCH

É uma técnica para estreitamentos ou curvaturas em pacientes que precisam de próteses penianas para resolver o problema da disfunção erétil.

Ela consiste em incisar a placa de Peyronie internamente, sem necessidade de reconstrução geométrica. Também pode ser utilizada para corrigir deformações residuais distantes dos locais onde as técnicas de Egydio, Sliding ou MUST foram empregadas.

Incisão da placa pelo interior do corpo cavernoso com espéculo e lâmina específica

 

8.5.     TÉCNICA STAGE

Esse procedimento é utilizado para os paciente com Curvatura Congênita. Na curvatura congênita não há placas causando deformidade, mas há um excesso de complacência no corpo cavernoso do lado contrário

à curvatura (que geralmente é para baixo). Assim, essa técnica provoca o aumento da complacência do local problemático realizando-se pequenas incisões superficiais nos corpos cavernosos seguidas de micro- suturas que corrigem a curvatura definitivamente sem perda de tamanho.

Desenluvamento peniano

– Incisão mediana (na cicatriz natural do pênis)

Dissecção do Feixe Vásculo – Nervoso e de parte da Uretra para preservar a sensibilidade ao máximo

Incisões superficiais do corpo cavernoso e sutura para perda da complacência do lado NÃO curvo, sem perda de tamanho

 

9. OS CORTES REALIZADOS SÃO GRANDES?

Os cortes internos são múltiplos, mas a única incisão que paciente terá ciência será na região logo abaixo da glande (cabeça) do pênis, como se fosse uma cirurgia de fimose.

Algo muito relevante a se saber, é que o Dr Cesar prepara o local da incisão para que um procedimento chamado No-Touch, no qual a prótese peniana não entra em contato com a pele do paciente. seja realizado nos casos em que as próteses deverão ser instaladas.

 

10. O PÓS-OPERATÓRIO É MUITO SOFRIDO?

Os primeiros 3 dias são chatos, mas muito amenizados pelo procedimento anestésico bem feito no momento da cirurgia. A anestesia apenas local é factível e viável, mas recomendo que quando o paciente desejar o máximo de conforto no pós-operatório, que realize anestesia raquidiana.

Para os pacientes que tiveram próteses penianas instaladas a adaptação (completa ausência de dor/ incômodo) pode levar até 60 dias.

Em geral os pacientes podem começar a ter relações sexuais em torno de 40 dias após o procedimento.

 

 

11. VOU TRATAR A DOENÇA DE PEYRONIE, PRECISO MESMO DE UMA PRÓTESE PENIANA?

Não, nem todos precisarão.

Abaixo listo as situações que devem estar presentes para a Não instalação de próteses:

  1. Curvaturas iguais ou inferiores a 40 graus (até 60o podem ser tolerados em casos selecionados);
  2. Homens com menos de 65 anos;
  3. Curvatura simples (apenas um plano) E que Não seja para BAIXO (ventral). Curvaturas para baixo são consideradas complexas;
  4. Paciente sem preocupação com a perda de tamanho peniano (a recuperação do tamanho é possível somente a instalação de próteses ou hastes de silicone);
  5. Placas com pouca calcificação ao doppler cavernoso peniano;
  6. Doppler cavernoso peniano com Índice de Resistividade Maior do que 0,8;
  7. Paciente estar apresentando boas ereções antes da cirurgia.

Se precisar de uma prótese, qual devo escolher?

 

 

12. EXISTE DIFERENÇA NA CIRURGIA DE ACORDO COM MODELO DA PRÓTESE?

Existem diferenças referentes ao tipo de incisão, mas com praticamente nenhum impacto prático ao paciente.

Com o implante das próteses infláveis de 3 volumes, poderá surgir um incômodo na região da virilha, que passará em algumas semanas (esse é o local de dissecção interna para a instalação do reservatório no abdome).

Apesar de mais estruturas a serem instaladas nas próteses infláveis, para qualquer modalidade de prótese é realizada apenas uma incisão e o tempo de recuperação é o mesmo.

A cirurgia é realizada em hospital com anestesia raquidiana ou geral, ou mesmo anestesia local com sedação. A alta ocorre no mesmo dia ou no dia seguinte.

Em geral os pacientes podem começar a utilizar a prótese 4 a 5 semanas após a cirurgia.

 

 

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